Dezembrite: como o fim de ano afeta nossa saúde mental

Chegou o fim de ano, e com dezembro chegam as comemorações, festas e reuniões. Porém nem tudo são flores…. Por que será? O psicólogo explica.

Natal

Nem todos estão no clima de natal nem de ano novo. Alguns podem até passar por mal-humorados ou estraga prazeres. Porém existem motivos para que nem todos estejam no clima psicológico para o fim de ano.

Festas em família podem ser muito complicadas. Existe uma pressão para que passemos uma data importante como essas com pessoas cujo único laço que temos, muitas vezes, é o sanguíneo, ou seja, comemorar um dia com pessoas com quem não temos afinidade, pelo bem do espírito natalino. Existe a pressão por perdoar quem nos feriu, manter as aparências frente ao que desaprovamos e, principalmente, a exigência de um humor festivo, ou seja, nada de carrancas ou tristeza na mesa da ceia.

Alguém aí vai arriscar falar sobre política esse ano? Acho que não, né?

Isso, claro, exige muito da nossa saúde emocional. Sentar e celebrar, mascarando as emoções não é saudável em nenhum contexto, imagina quando existe a pressão da tradição. Claro que o perdão é um objetivo nobre a ser perseguido e, quando se perdoa e se é perdoado, muito se ganha em saúde mental.

Eu estou falando, porém, da sensação de ter que se sentar à mesa com alguém que está te criticando por escolher terminar uma relação tóxica com uma “moça de família” enquanto é sabido que essa pessoa teve 2 filhos fora do casamento. E ter que abraçar e perdoar essa pessoa pois a data assim exige, passando por cima do seu tempo próprio para desenvolver o perdão.

psicólogo dezembrite

Ano novo

Outro aspecto de dezembro que afeta as pessoas é a sensação do fechamento de um ciclo. É meio bizarro ouvir as pessoas dizerem que farão algo a partir de janeiro. Por que? Por que não hoje? Eu mesmo me vi várias vezes nesse cenário só para, pasmem, adiar para depois do carnaval, e deixar cair no esquecimento. Isso acontece com quase todo mundo: dezembro é um lembrete doloroso de tudo que você se comprometeu a fazer mas que deixou para depois. Só que o “prazo acabou” e você “acumulou fracassos”.

E daí que você não perdeu 30 quilos nesse ano? Que não desencalhou? Que ainda não conseguiu aquela promoção? Não existe uma lista de tarefas a serem cumpridas escrita por aí, a menos que você as tenha escrito. Mas sabe o que é realmente triste? É ver o quanto dos seus sucessos você esquece nessa sede de se cobrar por promessas feitas em um dia arbitrário ao fim da volta que a Terra dá em torno do Sol.

Desenvolvimento pessoal, conquistas, melhora na qualidade de vida, tudo isso é um compromisso para a vida, não para o próximo ano. Ao invés de se prometer perder 30 quilos no ano que vem, que tal tentar se comprometer a fazer isso dentro dos próximos 12 meses? Assim você pode começar em março e não sentir o “peso do fracasso” enquanto come lentilha e pula ondinhas.

Se tem algo, portanto, que você deve se lembrar nesse dezembro é que o amor mais importante para a saúde emocional é o amor próprio. Se não quiser falar com alguém tóxico da família, tudo bem, sem culpas! Se quiser se prometer algo para o ano que vem, por que não hoje? Acima de tudo: respeite o seu tempo. Dezembro é apenas um dos muitos meses da sua vida.