Quando eu sofria de fobia social costumava chamar o álcool de “lubrificante social”, isso porque parecia fazer as engrenagens emperradas voltarem a funcionar normalmente. Essas engrenagens, eu sentia, faziam parte de mim, uma máquina que eu possuía e não sabia usar ou manter.

Quando percebi isso me tornei livre da necessidade de beber para conseguir interagir com as pessoas, inclusive amigos. Algumas pessoas bebem socialmente, eu bebia para socializar.

E eu detesto álcool, sempre detestei. Eu literalmente me feria para conseguir lidar com a angústia que a fobia social me causava.

fobia social e vícios

1 – É química

Independente da sua opinião sobre as drogas, legais e ilegais, quero falar sobre o uso dessas substâncias para lidar com a fobia social, ou seja, a utilização de muletas químicas para ter meios de enfrentar a ansiedade.

Como já discutimos anteriormente, a ansiedade é uma resposta fisiológica do corpo de forma a se preparar para lutar ou fugir de uma possível ameaça.

Sendo assim, estamos falando de processos químicos, conexões neurais, carga elétrica de membranas celulares, e um monte de coisa técnica com a qual não quero te entediar.

Qualquer substância química que você coloque no seu corpo provoca mudanças nele. Mesmo algo simples como monóxido de di-hidrogênio (também conhecida como água) pode provocar mudanças drásticas.

Então você consegue imaginar os efeitos de substâncias especificamente desenhadas para atuar no cérebro?

Estou falando de álcool, nicotina, thc, mdma, escitalopram, ou seja, produtos químicos legais e ilegais que foram desenhados para atravessar as defesas do cérebro e alterar seu funcionamento.

Alguns desses produtos possuem uma atuação de longo prazo e servem como auxiliares terapêuticos, ou seja, ajudam a controlar sintomas enquanto o tratamento avança. Esse é o caso dos antidepressivos, por exemplos.

Outros possuem atuação pontual e fazem seu efeito para logo depois pararem. Esse é o caso das drogas como maconha, álcool e cigarro.

O que todas elas têm em comum, porém, é que atuam sobre sinotmas, ou seja, sem tratar as causas elas se tornam verdadeiras…

2 – Muletas ou bengalas para a fobia social

Quando você quebra a perna feio você precisa passar por uma cirurgia, isolar a perna com gesso e usar muletas para se mover sem causar impacto. Conforme o tratamento avança, eventualmente o processo de cura se completa e você pode abandonar as muletas.

Porém, caso você não siga o tratamento, o processo de cura pode dar errado. O osso pode calcificar desalinhado, sem fisioterapia você pode acabar “andando errado”, enfim, ao invés de abandonar as muletas você vai acabar precisando de uma bengala para se locomover. Ou seja, uma solução permanente para um problema que poderia ser temporário.

A química que a pessoa com fobia social usa para lidar com os sintomas seguem esse mesmo princípio. Não importa qual seja o produto, sem o tratamento adequado você só estará enxugando gelo e arriscando tornar-se dependente.

A escolha então é entre muletas ou bengalas, o passageiro ou o permanente.

3 – A máquina emperrada

Eu observei, observei e consegui chegar à conclusão de que o problema não era que a máquina não funcionava, mas sim que eu não sabia operá-la.

Como eu conseguia fazer tudo aquilo depois de uns goles de vodka e não conseguia fazer sem? Não fazia sentido, afinal, apesar de facilitar o processo reduzindo minha inibição, a vodka não ENSINA o que fazer!

Foi aí que resolvi começar a observar o Diogo bêbado e aprender com ele.

É sério! É como se eu conseguisse acessar uma camada profunda em mim que estava oculta por medo e insegurança.

Eventualmente eu comecei a pôr em prática aquilo que eu via o Diogo bêbado fazer e, adivinhe só, deu certo!

Com a prática e o enfrentamento da fobia social eu consegui abandonar as muletas para andar com minhas próprias pernas.

Se você consegue socializar quando sob efeito de alguma droga, o que está acontecendo é apenas a diminuição das barreiras que impedem que algo dentro de você venha a tona, isto é, a pessoa que consegue socializar, fazer rir, e se conectar com outras pessoas.

Mas, como enfrentar a fobia social e poder um dia abandonar as muletas?

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Até a próxima!