Ainda que possa parecer absurdo ter que escolher um ou outro, muitas vezes é esse o dilema que faz com que a pessoa com fobia social se sinta encurralada.

E, para piorar, muitas vezes essa pessoa sente que é uma não escolha, que a resposta é simples, direta e objetiva.

A necessidade ou o desejo de aceitação acaba, então, jogando a pessoa em um paradoxo: ela vai se afastando tanto de quem verdadeiramente é que fica cada vez mais difícil manter o personagem e corresponder às exigências de todos, e, por isso, acaba perdendo tanto a liberdade quanto a aceitação.

Ouvir um “Você mudou.” é quase um soco no estômago da pessoa com fobia social.

O esforço para manter-se dentro de padrões é enorme. Ouvir um “Você mudou” soa, muitas vezes como uma derrota.

aceitação e fobia social

A fobia social e a ideia de aceitação

Como já dito em outro artigo, por sermos criaturas sociais o nosso cérebro se desenvolveu em torno de melhorar nossa capacidade de nos comunicar e nos conectar com outras pessoas, o que aumenta nossas chances de sobrevivência.

Então, para a pessoa com fobia social, estabelecer conexões é tanto uma necessidade quanto uma impossibilidade. E isso gera uma angústia visceral.

Por sentir uma inadequação, uma inferioridade, se sentir com muitas falhas, a pessoa com fobia social acaba por fazer uma aposta: se o seu eu mais autêntico é ruim, falho, insuficiente, então se tornará aquilo que é digno, bom e aceito pela maioria.

Então paga o preço com sua liberdade e, mais cedo ou mais tarde, com sua saúde (mental e até mesmo física).

É uma escolha consciente?

Não em sua totalidade. Existe, claro, uma parcela que é de responsabilidade da pessoa, mas existe um impulso muito mais primitivo que surge dos nossos instintos de sobrevivência e esse impulso é quase irresistível.

Quase.

A fobia social e a liberdade

Liberdade é uma palavra que guiou guerreiros e poetas ao longo da história, mas acho que a melhor citação que já vi sobre liberdade vem do grande poeta Alexandre Pires: “O que é que vou fazer com essa tal liberdade?”

E sim, eu estou falando sério.

Liberdade invoca responsabilidade, abre o leque de possibilidades e isso, também, causa angústia. Isso por que ter plena liberdade é não ter um roteiro predeterminado a seguir. Estar assim, sem orientação é assustador e a pessoa acaba tendo que aprender pela via da tentativa e erro.

E nisso o cérebro acumula traumas, o que empurra a pessoa cada vez mais à uma busca por fórmulas mágicas e roteiros a seguir.

E a métrica pela qual as pessoas com fobia social acabam usando para medir seu sucesso é a da aceitação.

“Se me aceitam, logo estou fazendo tudo certo.”

O valor da autenticidade

Para início de conversa, ser um ator é um trabalho cansativo e existe um motivo para poucos se destacarem como bons atores: “fingir” ser outra pessoa, interpretar um papel é cognitivamente exaustivo.

Quando você veste uma máscara ou incorpora um personagem para poder obter aceitação você está forçando seu cérebro a operar de uma forma para a qual ele não tem ferramentas (conexões neuronais e predisposição genética).

Se você é nerd, gosta de astronomia e atividades ao ar livre, vai ter muito mais dificuldade em ser do tipo atlético que gosta de futebol e idas ao shopping.

Ter autenticidade é, não só o caminho mais fácil, mas também o mais saudável.

Mas, eu não falei que a aceitação é um impulso primitivo e importante para nossa sobrevivência?

Sua galera

Talvez, no fim das contas, você apenas esteja andando com a galera errada! E para receber a aceitação esteja vendendo uma parte de si por um preço cada vez mais alto.

Para andar com as modelos da escola a menina pode acabar desenvolvendo bulimia, em troca de ser mais igual, ser aceita.

O rapaz pode negar sua sexualidade para poder fazer parte da galera dos machões pegadores e se ver em um casamento infeliz com depressão e muita culpa por sentir atração, ainda hoje, por outros caras.

A vida não tem roteiro. O organismo mais evoluído é o organismo mais bem adaptado ao seu meio. Quando o inverno vem, as aves se mudam para regiões quentes.

Quando você não sente aceitação é por que você está andando com a galera errada.

Como achar a galera certa? Isso vai ficar para outro artigo.

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Até a próxima!