Fobia social e os vícios: entenda em 3 etapas

Quando eu sofria de fobia social costumava chamar o álcool de “lubrificante social”, isso porque parecia fazer as engrenagens emperradas voltarem a funcionar normalmente. Essas engrenagens, eu sentia, faziam parte de mim, uma máquina que eu possuía e não sabia usar ou manter.

Quando percebi isso me tornei livre da necessidade de beber para conseguir interagir com as pessoas, inclusive amigos. Algumas pessoas bebem socialmente, eu bebia para socializar.

E eu detesto álcool, sempre detestei. Eu literalmente me feria para conseguir lidar com a angústia que a fobia social me causava.

fobia social e vícios

1 – É química

Independente da sua opinião sobre as drogas, legais e ilegais, quero falar sobre o uso dessas substâncias para lidar com a fobia social, ou seja, a utilização de muletas químicas para ter meios de enfrentar a ansiedade.

Como já discutimos anteriormente, a ansiedade é uma resposta fisiológica do corpo de forma a se preparar para lutar ou fugir de uma possível ameaça.

Sendo assim, estamos falando de processos químicos, conexões neurais, carga elétrica de membranas celulares, e um monte de coisa técnica com a qual não quero te entediar.

Qualquer substância química que você coloque no seu corpo provoca mudanças nele. Mesmo algo simples como monóxido de di-hidrogênio (também conhecida como água) pode provocar mudanças drásticas.

Então você consegue imaginar os efeitos de substâncias especificamente desenhadas para atuar no cérebro?

Estou falando de álcool, nicotina, thc, mdma, escitalopram, ou seja, produtos químicos legais e ilegais que foram desenhados para atravessar as defesas do cérebro e alterar seu funcionamento.

Alguns desses produtos possuem uma atuação de longo prazo e servem como auxiliares terapêuticos, ou seja, ajudam a controlar sintomas enquanto o tratamento avança. Esse é o caso dos antidepressivos, por exemplos.

Outros possuem atuação pontual e fazem seu efeito para logo depois pararem. Esse é o caso das drogas como maconha, álcool e cigarro.

O que todas elas têm em comum, porém, é que atuam sobre sinotmas, ou seja, sem tratar as causas elas se tornam verdadeiras…

2 – Muletas ou bengalas para a fobia social

Quando você quebra a perna feio você precisa passar por uma cirurgia, isolar a perna com gesso e usar muletas para se mover sem causar impacto. Conforme o tratamento avança, eventualmente o processo de cura se completa e você pode abandonar as muletas.

Porém, caso você não siga o tratamento, o processo de cura pode dar errado. O osso pode calcificar desalinhado, sem fisioterapia você pode acabar “andando errado”, enfim, ao invés de abandonar as muletas você vai acabar precisando de uma bengala para se locomover. Ou seja, uma solução permanente para um problema que poderia ser temporário.

A química que a pessoa com fobia social usa para lidar com os sintomas seguem esse mesmo princípio. Não importa qual seja o produto, sem o tratamento adequado você só estará enxugando gelo e arriscando tornar-se dependente.

A escolha então é entre muletas ou bengalas, o passageiro ou o permanente.

3 – A máquina emperrada

Eu observei, observei e consegui chegar à conclusão de que o problema não era que a máquina não funcionava, mas sim que eu não sabia operá-la.

Como eu conseguia fazer tudo aquilo depois de uns goles de vodka e não conseguia fazer sem? Não fazia sentido, afinal, apesar de facilitar o processo reduzindo minha inibição, a vodka não ENSINA o que fazer!

Foi aí que resolvi começar a observar o Diogo bêbado e aprender com ele.

É sério! É como se eu conseguisse acessar uma camada profunda em mim que estava oculta por medo e insegurança.

Eventualmente eu comecei a pôr em prática aquilo que eu via o Diogo bêbado fazer e, adivinhe só, deu certo!

Com a prática e o enfrentamento da fobia social eu consegui abandonar as muletas para andar com minhas próprias pernas.

Se você consegue socializar quando sob efeito de alguma droga, o que está acontecendo é apenas a diminuição das barreiras que impedem que algo dentro de você venha a tona, isto é, a pessoa que consegue socializar, fazer rir, e se conectar com outras pessoas.

Mas, como enfrentar a fobia social e poder um dia abandonar as muletas?

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Os 6 ciclos do inferno da fobia social

A fobia social possui componentes que funcionam em harmonia para gerar o máximo de destruição na sua vida.

Esses ciclos são como engrenagens em uma máquina feita para triturar sua força de vontade.

Por isso que os chamo de ciclos do inferno da fobia social, são fases que alimentam uma à outra e te mantêm preso nela.

ciclo da fobia social

1º Ciclo – Se cobrar padrões sociais altos

Imagine-se na corte de um rei. Toda a pompa e glamour, as regras de etiqueta, os trajes alinhados e a cultura entranhada em cada fio de seda.

Você saberia navegar nesse cenário social?

Acho que nenhum de nós hoje conseguiria. No entanto é assim que as pessoas que sofrem de fobia social se cobram.

Porém, atente para esse fato histórico: essa corte provavelmente fedia à perfume misturado com suor e carniça, o mal hálito era horrível e as perucas normalmente cobriam cabeças infestadas de piolhos.

A imagem mental mudou bastante, não é?

Se cobrar padrões sociais altos é estar em desconexão com a realidade. Claro que existem lugares que cobram certa formalidade, mas a perfeição vendida não existe. Então perde o sentido que você se cobre o mesmo.

Porém a pessoa com fobia social se cobra, para evitar gafes, para evitar pagar mico, para evitar ser visto como inferior. Porém isso leva ao…

2º Ciclo – Autopercepção negativa

Ao se analisar e comparar-se com o meio, a pessoa que sofre de fobia social acaba por sempre se enxergar de forma negativa, vendo falhas nos minúsculos detalhes.

Isso acontece por conta da distorção da realidade para que esta se encaixe em uma narrativa preconcebida, como por exemplo a inadequação física (“Todos são mais bonitos que eu”).

Para piorar, além da pessoa ter uma autopercepção negativa, ela cria uma percepção positiva distorcida das outras pessoas, sem perceber os piolhos e dentes podres e os vendo como seres belos e sem falhas.

Então o contraste fica tão escancarado que é inevitável que a pessoa comece a sentir ansiedade, e isso é sinal do…

3º Ciclo – Baixo controle emocional

Nesse ponto a pessoa começa a sentir os sintomas característicos da fobia social. Isso por que o baixo controle emocional faz com que os pensamentos distorcidos e julgamentos enganosos disparem sentimentos de ameaça no cérebro.

O controle emocional é um escudo que protege a pessoa que sofre de fobia social da espiral descendente que a crise de ansiedade causa.

A falta desse controle emocional leva à…

4º Ciclo – Deterioração física e mental

Com a adrenalina e o cortisol fluindo livres no corpo, os sintomas se tornam cada vez mais intensos, ao ponto de que eles se tornam transparentes, o que deixa a pessoa com fobia social ainda mais consciente da imagem que está passando para os outros, o que só faz piorar o sentimento de ameaça e, por consequência, a ansiedade.

Essa deterioração refletida em corpo (tremedeiras, suor, visão turva, enjoo, dores, respiração acelerada e curta) e mente (aceleração do pensamento, pensamento cada vez mais distorcido, foco cada vez maior nos sintomas) acabam por levar à única saída óbvia…

5º Ciclo – Evitação

O enfrentamento da situação é tão agoniante que a pessoa escolhe o caminho mais simples: sair de cena.

Isso causa uma cessação imediata dos sinais de perigo no cérebro e, por isso, a reação de defesa (ansiedade) desaparece conforme o sistema nervoso parassimpático entra em ação (como explicado aqui)

Isso certamente causa um grande alívio, porém ensina (condiciona) o seu cérebro que a solução para esse problema é a fuga. Ou seja, você condiciona o seu cérebro a buscar esse comportamento sempre que se vê nessa situação.

Por isso que a fobia social é tão difícil de se combater: ela exige embate direto, sustentar o desconforto da ansiedade, para romper com esse ciclo infernal

Porém, como nem tudo são flores, apesar de os efeitos da ansiedade terem passado, o cérebro de quem sofre de fobia social trata de transformar esse alívio em algo negativo, que é a…

6º Ciclo – Ruminação pós-evento

Você se livrou do sufoco de ter que permanecer naquela situação desconfortável que foi o evento social.

Porém, junto com o alívio vem a cobrança. “Por que você não tentou mais?”, “Por que você não falou com alguém?”, “Por que foi com essa roupa ou não com outra”, “Você é covarde!”.

Isso é tudo que seu cérebro tem para oferecer para a pessoa com fobia social: tortura pós trauma.

Isso te faz pensar, refletir e prometer para si que na próxima vez vai ser diferente, que você entende melhor a dinâmica da coisa e que seus padrões sociais vão se elevar.

Mas, assim que você se vê em uma situação social, você volta ao primeiro ciclo e se cobra padrões sociais irreais e assim começa tudo de novo.

Como quebrar esse ciclo?

Veja neste outro artigo

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Medo de falar em público afeta 40% das pessoas

Você sabia que não precisa sofrer de fobia social para sentir medo de falar em público?

Pois é, apesar de parecerem quadros que somente surgiriam juntos, existem muitas pessoas que lidam muito bem com situações sociais e, mesmo assim, se sentem ansiosas ao falar em público.

medo de falar em público

Mas por que algumas pessoas sofrem de medo de falar em público e outras não?

Por ser um tipo de fobia específica o medo de falar em público pode ser explicado por várias vias, mas o componente principal é o mesmo que move todas as fobias e crises de ansiedade: a percepção de ameaça.

Ao se expor a um público, via de regra você está sendo alvo de avaliações, desde formas diretas, como em provas orais, quanto de formas indiretas, como fazer uma palestra. O medo de ter um desempenho ruim atravessa todas as fobias sociais. No caso do medo de falar em público, o foco principal é esse, por isso é a mais comum forma de fobia que envolve situações sociais.

Mas o que há de ameaçador em falar em público a ponto de disparar nossa ansiedade?

Nosso cérebro é uma máquina muito antiga, seus mecanismos mais básicos foram desenvolvidos em um ambiente muito diferente. As ameaças, naquela época, eram bem claras, bem objetivas. Era o predador que podia estar atrás de um arbusto, ou o clima que poderia mudar a qualquer momento e fazer você congelar se não estivesse preparado.

Portanto, nosso sistema de defesa de luta ou fuga se desenvolveu para garantir que fossemos capazes de prever perigos e reagir de forma a aumentar nossas chances de sobrevivência.

Isso faz todo sentido quando falamos de leões e tribos inimigas, mas ter medo de falar em público faz pouco ou nenhum sentido, certo?

Errado!

Somos criaturas sociais, isso quer dizer que nossa sobrevivência sempre esteve conectada com nossa capacidade de nos relacionar com os outros. A fobia social é incapacitante justamente por tirar de nós uma parte tão importante do nosso funcionamento.

O medo de falar em público é, portanto, uma forma de reagir à uma situação ameaçadora: a interpretação de que, se não tivermos um bom desempenho ou se formos mal avaliados, colocaremos nossa sobrevivência em risco.

Eu sei que parece bem… exagerado, mas é assim que o cérebro das pessoas que têm medo de falar em público funciona.

O cérebro é um computador de 1990 tentando rodar um jogo de 2021, ou seja, são mecanismos muito antigos que precisam lidar com situações modernas, sutis, para as quais ele não está preparado. Então ele usa as ferramentas que possui para lidar com a modernidade.

Talvez seja essa a razão para a saúde mental das pessoas atualmente estar tão vulnerável.

Pensa assim: se você estiver fazendo uma apresentação oral no seu trabalho, sua sobrevivência está ameaçada, pois um mal desempenho pode te fazer perder o emprego.

Sim, o cérebro trabalha de formas bastante extremas para garantir nossa sobrevivência.

Se você estiver dando uma palestra isso pode significar uma oportunidade de fazer conexões que vão facilitar sua vida depois ou arruinar sua reputação e ambos os cenários afetam sua sobrevivência.

No fim das contas, o que realmente importa é a interpretação que o cérebro dá para a situação. Se você sente medo de falar em público é por que seu cérebro, de alguma forma, interpreta esse cenário como uma situação de vida ou morte, por mais bizarro que possa parecer.

Então, o que você precisa fazer, enquanto um exercício diário é ressignificar aquele contexto. Por exemplo, seu emprego é realmente sua única fonte de sobrevivência? E aquela proposta que você recebeu um tempo atrás? Isso não é prova de que existem outras vagas na sua área por aí?

Sente-se e, com calma, tente entender o porquê de seu cérebro estar interpretando o ato de falar em público como uma situação de vida ou morte.

Obtida essa resposta, trabalhe para dar novos sentidos e mudar essa forma de interpretar.

Até lá, pratique exercícios de relaxamento para controlar o medo de falar em público.

Que exercícios? Bem, isso você vê clicando aqui

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